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Trazendo pra vocês a tradução da mais recente entrevista com Uruha, de junho de 2010.
Já aviso pra non se assustarem com o tamanho de algumas respostas
Tem uma tão imensa que até o entrevistador se perde…rs

Créditos:
Inglês: Ducky
PT-BR: Tum @ MH

Tem umas perguntas ótimas no fim da entrevista, e o Uruha acaba ficando naqueles momentos filosóficos


Apresentando Uruha, o quarto jogador do plano de jogo do the GazettE.
Com “Fácil de expressar” como tema, resultou em uma sessão de fotos em um aeroporto aos arredores de Kantou. A entrevista mostra os pensamentos de Uruha sobre o show final da turnê do Fã-Clube em Março, as mudanças em suas atitudes em se tratando de fazer músicas e o “presente” do homem que é o Uruha.

A luz que é o estado precedente.

-As fotografias de hoje foram feitas em um aeroporto. Então, foi você quem escolheu o local?

“Não era exatamente o aeroporto no começo, mas eu queria uma foto que fosse simples e fácil de entender e comunicar. E eu tinha apenas a idéia de abandono em mente. Por ‘simples’, eu não quis dizer ‘no estúdio de fotografia com uma cortina branca de fundo’. Desistindo desse tipo de pensamento, a ideia de ‘que tal um aeroporto?’ me veio a mente. Combina perfeitamente com a minha imagem. A roupa só foi finalizada depois de ser decidido que a sessão de fotos seria no aeroporto, porque eu queria uma imagem ‘forte’. Embora eu tenha explicado apenas aquela imagem ao estilista, a foto ideal como eu imaginei tomou forma. Nós saímos as 9 da manhã, e foi bem corrido, mas logo cedo, já que queríamos fotografar de preferência em um espaço não japonês, foi bem divertido fotografar em um país estrangeiro. Eu tive um amadurecimento da mente. Começando por baixo, e experimentando uma atmosfera diferente das atividades normais nos aeroportos foi bem agradável. Estes são os tipos de sentimentos que eu reuni de todas as sessões pessoais de fotos que eu fiz no passado. Tentando passar a imagem de estar ‘saindo do casulo’ ou ‘quebrando a casca’ através de fotografias, acabou sendo um negócio bem bagunçado. Eu acho que foi algo que eu pude expressar muito bem do meu próprio jeito, e também houve partes em que eu senti que o verdadeiro significado fluiu. Então dessa vez foi algo fácil de compreender. Atualmente, é muito difícil expressar algo para outra pessoa por algum meio que não sejam palavras, não é?”

-É verdade, porque não há nada além dos nossos sentidos para expressar algo a alguém, desde que não seja por palavras, certo?

“Sim. Mesmo com respeito a musica, se não há letras, não há sentido em dar algum sentido a ela. Eu pessoalmente acho que não há sentido explicar como “este som expressa tal e tal coisa.”

-Isso também se aplica ao processo de fazer músicas normalmente?

“Se aplica, sim. Música não é algo que alguém simplesmente entende, de um jeito ou de outro, porque tudo se trata dos sentidos, realmente. Por essa razão, recentemente eu venho pensando muito mesmo sobre como eu quero fazer algo que possa expressar mesmo sem nenhuma explicação. O que eu sinto quando estou fazendo músicas é algo como a sensação de ter um estrangeiro diante de mim e estou tentando me expressar por gestos. Embora seja a mesma coisa até com a banda, para os meus projetos pessoais também, qualquer sentimento forte que eu tenha naquela hora, naquele momento, permanece por trás das páginas das revistas. Eu acho que não se trata de reter à força nossa essência, mas sim de não borra-la. Acho que é porque todas as influencias e ambientes aos quais fui exposto até agora acabaram naturalmente se tornando parte de mim. No passado, nós estávamos conscientes de que não fazíamos confusões, ou nos expressávamos mal, mas eu acho que também tinham vezes em que fazíamos isso. Nós tentamos não nos engrandecer. Nos dias de hoje, trata-se mais de não levar em consideração nada além de nós mesmos, ao invés de pensar no que cada um queria expressar individualmente. “O que nós queremos mostrar” tornou-se mais importante do que “O que eu quero expressar”. Mas desta vez, ou melhor, recentemente, nós começamos a considerar coisas como o que um estranho iria pensar quando ele nos visse, ou como seriamos vistos por eles. Eu sinto o mesmo no que se trata de fazer músicas recentemente. Melhor do que estar bem enquanto eu for bom, eu venho pensando em coisas como ‘Que tipo de músicas as pessoas amam?’. No passado, eu fiz músicas que eu queria fazer, ou músicas que eu amava, mas agora, eu me sinto como fazendo músicas que serão amadas por todos. Eu acho que é o mais difícil de tudo fazer algo que eu goste de fazer, e francamente, eu acho que preferiria que as pessoas aproveitassem mais se eu estivesse me divertindo. Não é que eu não queira fazer músicas que as pessoas gostem, ou reconheçam como boas, mas fazer tais músicas é difícil, sabe. Isso porque é mais fácil fazer músicas de que se gostem, sabe. Esses dias, eu resolvi fazer coisas que eu achava difícil, como um desafio. Eu não estou tentando me engrandecer aqui. É mais como um esforço consciente em ser capaz de fazer músicas que as pessoas amem, enquanto preservo algo de mim mesmo. Digo, no presente, eu faço o que eu quero fazer, mas mais que isso, eu acho que é assim que eu espero um pouco que as coisas sejam no futuro. Acho que as fotografias desta vez representam meus pensamentos como eles são no presente. No futuro, quando eu olhar pra mim mesmo na fotografia, eu rapidamente vou compreender “Naquela época eu fiz essa música pensando aquilo na hora”. Embora eu sinta que eu seja tão fácil de compreender, o jeito que isso é mostrado às pessoas muda de tempos em tempos, eu suponho. Há tantas maneiras de se pensar nisso mesmo agora. Olhando agora para a foto, é interessante ver o quão natural foi a mudança, mesmo pensando que estávamos apenas sendo bem honestos, o que nos impulsiona o tempo todo (risos). É como olhar um álbum de alguém que vai crescendo pelos anos (risos). É como nostalgia, sabe (risos). Desde que as emoções que eu senti naquele tempo permaneçam nas fotografias, não é que eu queira fotografar nas mesmas situações em que eu fiz naquela época, mas é apenas isso, eu não acho que seria a mesma coisa mesmo se o fizéssemos agora em uma situação parecida. Eu acho que o meu eu do presente viria à tona, no final. O ideal seria poder expressar isso a qualquer um que visse a revista, não é?”.

-Isso foi tudo ligado às “músicas que são amadas por todos”, não foi? Há uma diferença entre ser fácil de entender, e ser gostado e elogiado pelas pessoas. É difícil, não é?

“Isso é totalmente verdade.”

-Vocês tocaram suas músicas antigas durante a turnê do fã-clube, não foi? A sensação de tocar músicas antigas em shows é a mesma de olhar novamente fotos antigas?

“Quando nós tocamos músicas antigas, nós, no presente, não rejeitamos ou menosprezamos essas músicas que fizemos no passado. Mas sim ficamos confiantes e tocamos essas músicas com um sentimento feliz, enquanto tentamos atingir a essência dessas músicas com o nosso estilo de expressão presente em mente. Nós sentimos vontade de tocar essas músicas se elas ainda forem amadas, eu penso. Tendo dito isso, e isso foi algo que eu senti durante a turnê do fã-clube, tocar músicas antigas não é muito mais excitante? Elas realmente fazem o local ferver. É claro que nos deixa feliz também, mas eu acho que o melhor de tudo é quando se destacam vozes cheias de prazer dizendo “Estou feliz por ter ouvido isso depois de tanto tempo!”. Isso definitivamente nos faz felizes também. Como eram shows do fã-clube, nós queríamos preparar uma set-list especial, com músicas exclusivas na hora, e queríamos fazer todos se sentirem ‘o prazer de ouvi-las depois de tanto tempo’. Eu não tenho certeza se todos perceberam ou não, mas até os MCs de Ruki foram um pouco diferentes porque eram shows do Fã-Clube. Foi quase como se tomasse uma forma artística. Nós não fazemos coisas como falar muito ou fazer outras coisas não relacionadas ao show só porque é um show do fã-clube, porque o show em si é algo particularmente especial com a qual se é presenteado, sabe.”

-Isso é verdade. Como vocês fizeram para selecionar as músicas antigas?

“Nós pesquisamos quais músicas os fãs gostam de ouvir, e tendo isso como base, nós 5 as escolhemos. Nós ficamos discutindo coisas como “Eu quero tocar essa.” Ou “Que tal essa aqui?”. Haviam problemas práticos, como alguém com uma afinação diferente, resultando numa adaptação impossível, ou algo assim. Então foi bem difícil. Basicamente, nós 5 ficamos discutindo e sem a exceção de nem mesmo um de nós, unanimemente decidíamos incluir as músicas que todos nós gostariamos de tocar. Eu acho a concordância entre mentes muito importante.”

-Isso dá um sentimento muito agradável, a natureza da relação entre o the GazettE. A maneira como os membros provavelmente alcançam uns aos outros vem à tona com clareza.

“Eu costumava falar de uma maneira bem egoísta no passado (risos), mas eu amadureci bastante agora, e não falo mais essas coisas sem sentido (risos).”

-Tocando músicas antigas, o prazer que você sente é de alguma forma similar ao prazer de quando, digamos, em um encontro, sua garganta está seca, e alguém casualmente lhe paga um drink que por acaso é o drink que você sempre bebe, e se sente como “Ah, como sabe que eu gosto disso? Sério!”

“Eh? Quero dizer… nós não estávamos falando do fã-clube agorinha mesmo? Ou algo assim? (risos)”

-Eh? O que eu quero dizer é, você não tem esse tipo de sensação quando, um fã te pede, e você de repente toca uma música que você também gosta, de todas as músicas antigas?

“Ah ahh (pequena compreensão). Bem… logo agora, coisas sobre o fã-clube… (risos)”

-Essa analogia era bem fácil de entender. (risos)

“Ahahahaha. Eu entendo a diferença, de uma maneira ou de outra. (risos) Mas eu acho que será bom se nós pudermos continuar fazendo músicas como as que tocamos normalmente e que ainda fazem as pessoas se sentirem “Estou feliz por ouvir essa música”, mais do que as antigas que as fazem se espremerem só porque nós a tocamos depois de tanto tempo.”

-Eu entendo isso muito bem. Isso se trata de músicas que tem um poder genuíno dentro delas, não é?

“Certo. Até isso está ligado às “músicas amadas pelas pessoas”. No meu caso, meus pensamentos em qualquer momento particular sempre têm alguma conexão com a produção de músicas. Isso porque eu normalmente não penso em mais nada além de fazer músicas.”

-De acordo com o seu eu do presente, há alguma música que remeta a essa sensação?

“‘Guren’ é a música. Tocando ‘Guren’ nos shows, eu tenho uma sensação que nenhuma outra música causa em mim. Se você me perguntasse o porquê, é porque isso simplesmente toma meu peito com uma força absoluta. Isso meio que me puxa pra dentro, e então eu compreendo, é uma sensação que faz meu corpo tremer todo. Acho que é mais fácil com baladas fazer alguém se sentir assim. ‘Chizuru’ me dá a mesma sensação. É por isso que, neste exato momento, eu quero fazer músicas que, mesmo sendo alegres, deixe alguém imóvel, e deixe aquela sensação de uma ferida.”

-A sensação de uma ferida? É uma bela expressão, não é? Mas quando eu assisto os shows do the GazettE, há momentos em que eu esqueço de respirar!

“Mas eu penso que será melhor se essa sensação se espalhasse totalmente, ao invés de vir em chuviscos. Não há outro jeito se não criar tal música para que isso aconteça. Esse é o desafio que eu fiz a mim mesmo no momento.”

-Nós vamos esperar por isso ansiosamente. Mas parece que vocês estarão bem ocupados na segunda metade do ano, não é? Começando com a apresentação no Budoukan em 22 e 23 de julho, é uma longa turnê por todo o país depois de um bom tempo, em 37 lugares e com 39 apresentações.

“Não é? Então quais as músicas que devemos tocar? Digo, um show tem aproximadamente 22 músicas, hm? 858 músicas!? Eu estarei tocando tantas músicas num período de apenas 2 meses, certo? (risos)”

-Ainda é mais se você pensar em 1 ano, não é?

“Eu não quero nem pensar nisso. (risos)”

-Falando nisso, muito tempo atrás, quando eu estava na Universidade, eu costumava gastar 2 horas no caminho indo pra Universidade. Somando com a volta davam 4 horas. Eu fiquei sem fala quando um senhor me contou isso significava perder 4 meses em um ano, num trem, embora eu suponha que você toque guitarra todo dia?

“Sim. Eu não acho que tenha um dia em que eu não faça isso.”

-Isso significa que, se calcularmos, daria aproximadamente 10 meses de você tocando guitarra continuamente, em um ano. (risos)

“Woho. Não é legal pensar nisso desse jeito, embora passar 4 meses em um trem pareça ser bem pior. (risos) Neste caso, acho que é melhor achar algo pra se fazer no trem durante a viagem! Melhor não desperdiçar tempo. (risos) Eu vou tirar uma folga dos show uma hora, vou me dedicar a eles com toda minha energia, e até o fim deste ano, quando terminar a turnê, eu acho que eu vou apenas trabalhar no meu atual desafio, atrair todos pra dentro, e focar em fazer músicas que serão boas para todo mundo.”

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