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Entrevista Especial do Kai de julho de 2008!

Créditos:
Inglês: Astraphile
PT-BR: Jackie_Pon


Primeiramente, entre tantos outros instrumentos, porque foi atraído pela bateria?

Acho que fui atraído porque é um instrumento que se destaca. É o tipo de instrumento que permite que você se expresse utilizando todo o corpo, e desde que eu era criança não conseguia tirar os olhos desse instrumento.

Desde qual idade?

Desde o ensino fundamental. Meus pais ouviam bastante jazz, e aprendi a tocar jazz em piano. Fui criado nesse tipo de ambiente, eles me levavam para recitais e clubes de jazz.

Fez aulas de jazz no ensino fundamental?

Sim. Mas eu não entendia nada.

Então viu concertos de baterias em jazz.

Achei maravilhoso. Claro, também tinha o saxofone, guitarra, baixo, e as vozes, mas a bateria me atraíram primeiro. Então eu disse à minha mãe que eu queria tocar bateria. Ela já queria que eu aprendesse algum instrumento e tentava me ensinar piano, então ela disse “Ok. Vamos tentar”. Durante o ensino médio um amigo dela, que era baterista me ensinava.

Você também jogava futebol não é? 
Sim. Pensando bem, na época, futebol era o que eu me interessava realmente, e a bateria era um hobby. Mas isso mudou quando entrei para uma banda.

Uma vez que vc praticava esportes, usava muito todo o corpo… foi por isso que se interessou por bateria? Porque não poderia se mover tanto se tocasse guitarra ou baixo.

(risos). É verdade. Basicamente eu achava que bateria era mais chamativo e legal.

Você já tinha bateria?

Não, não. Ainda não.

Então, como praticava em casa?

Na época, eu usava revistas e outras coisas. Não tinha como pagar para usar um estúdio, então eu me virava com a frigideira em restaurantes (rsrsr). O único momento em que eu usava bateria foi quando treinava com meu instrutor, mas eu sabia como funcionava, como o chimbal e pratos deveriam funcionar.

Então como fazia?

Os tambores estão em todas as revistas, os pedais eu apenas fingia que eu tinha um no chão e apenas fazia os movimentos, para o “chapéu-alto”, a escada do meu beliche serviu perefeitamente, então (risos). Tem as marcas nela até hoje (risos).

As marcas do seu treinamento ainda estão lá então.
Também, teve um encosto de uma cadeira que estava quase quebrando, eu usava de pratos. Então, resumindo, eu destruí muita coisa dentro de casa (risos). Também fiz vários buracos em travesseiros e outras coisas.

Qual a primeira musica que tocou?

“JESUS” de “Luna Sea”. Mas como era um cover, eu não tocava as partes da música que eu não gostava. Quando chegava na parte que eu não gostava, eu mudava e tocava diferente todas as vezes.

Então não tocava exatamente igual?

Não, igual não (risos)

Você consegue se lembrar como se sentiu a primeira em que tocou em uma banda?

Eu me lembro. Eu era péssimo tocando bateria de verdade, mas tocar juntos era tão divertido que eu quis ir pro estúdio no dia seguinte.

Então nesse momento você sempre quis tocar bateria?

Não pensei isso naquele momento, mas depois de tocar e praticar juntos, começamos a pensar sobre levar isso a sério. Então a escola começou a atrapalhar. Porque eu precisava de um emprego para comprar uma bateria, e eu queria praticar. Não me interessa mais pela escola, então fui o único que abandonei. Saí no segundo ano do ensino médio.

Foi o único que saiu?

Sim. Quando me dei conta de que fui só eu, fiquei tipo “UWAAA~!”, mas não podia voltar atrás. Na verdade os membros acabaram se distanciando. Então pensei “Então ta” e decidi procurar por novos membros. Mas ainda não me julgava bom o bastante, então durante um ano eu pratiquei o máximo que pude.

Então só restou você depois que largou a escola, certo?

(risos) Basicamente a escola e a pratica inverteram o papel.Os estudantes normais acordavam de manhã e iam para escola, e eu estava praticando, eu queria pegar uma vantagem das pessoas que só começam a praticar depois de se formar, queria esse mérito… eu tinha um emprego mas tinha que usar o dinheiro para comprar a bateria para praticar em casa ao invés do estúdio. Algumas pessoas dizem que é impossível praticar sem ir a estúdios, eu digo que é perfeitamente possível.

Usando o método que você falou a pouco?

Não, Eu tinha o suficiente para comprar só uma caixa, existem várias maneiras pelas quais você pode praticar em casa. A bateria não é tudo.

Então você tem várias maneiras de tocar?

Sim, dependendo do meu humor.

E como você praticava?

Por exemplo, eu escrevia as 16 notas e marcava com R e L, ou right and left*, e deslocava os acentos. Ou movia os acentos para uma semicolcheia… tem varias formas de fazer.

*TN: eu não sei se ele marcava em inglês mesmo ou em japonês e a tradutora traduziu… mas eu acredito que ele marcasse em inglês mesmo, lá isso é freqüente.

Mas não acho que seja possível se não tiver algumas coisas completamente estabelecidas. E você estava sozinho.
Eu não vejo como se estivesse sozinho.

Então estava completamente dentro?

Fui absorvido. Quando minha mãe soube que eu estava largando a escola, ela tentou me impedir. Que pai e mãe não faria isso? Discutimos um pouco, e como eu ainda era criança, não estava pensando em desistir. Então meus pais desistiram e disseram “Tudo bem então. Se você já decidiu.” Porque na época eu era muito decidido, não queria que eles me vissem vagabundeando pela casa. Odiaria ter que ouvi “Você largou a escola e está só brincando por aí”.

E continuou por um ano?

Continuei.

Mas quando você tem 16 ou 17 anos é a época em que você mais quer se divertir.

É verdade. Mas todos os meus amigos estavam na escola.

Então você era mesmo rebelde?

Sim, era.

Você acha que está aqui hoje por causa daquele 1 ano de pratica?

Gostaria de pensar isso, mas acredito que as pessoas que eu conheci tiveram mais influencia.

Como os demais membros?

Os membros e outros. Tenho sido influenciado também por pessoas que conheci a muito tempo.

Talento e Habilidade não contam?

Acho que há diversas pessoas tão boas quanto. Se procurar estudantes de ensino médio, havia muitos melhores que eu. Há também a questão da sorte, você não pode depender apenas das próprias habilidades, por isso não posso dar todo o mérito à esse ano de prática.

Então, se o Kai-kun de 17 anos visse o Kai-kun atual, o que diria?

Wow, demais! (risos)

Como “Meus sonhos se realizaram”?

Bem, eu era uma criança na época, eu era muito confiante. Se fosse pensar nos dias atuais, eu realmente tinha confiança de que iria longe.

Acho que existem pessoas com confiança sem fundamento de que se tornarão profissionais.

É Verdade. É estranho. Por isso eu digo que se meu eu de 17 anos visse meu eu do presente, ele diria: “Ah, eu sabia” (risos).

Mas se não fosse isso, você provavelmente não seria capaz de continuar praticando tanto. Eu realmente acho que bateristas são demais, precisam prestar atenção em tantas coisas diferentes de uma vez só. Não sei como conseguem fazer isso apenas com símbalos.

(rs). Eu não entendo o que tem demais nisso. Porque desde a primeira vez que vi uma bateria, soube que eu poderia faze-lo. Guitarras tem muitos acordes e precisa movimentar os dedos rapidamente. Mas com a bateria, tudo o que precisa fazer é bater nos tambores que eles produzirão sons (rs). É claro que, depois que eu comecei a aprender percebi o quão difícil poderia ser.

Difícil em que sentido?

Percebi que a bateria é um instrumento muito sincero, os sons produzidos quando você toca com confiança são completamente diferentes dos sons que saem quando se está nervoso. Isso é muito perceptível.

É um instrumento que denúncia seus sentimentos?

Acho que sim.

Parecido com cantar?

Sim, cantar também denuncia os sentimentos. Mas se isso é bom ou ruim é uma característica dos instrumentos acústicos. Mas este é ponto principal, não é? Sua voz também é um instrumento imutável, não fará sentindo se não se expressar. Assim como a bateria, se não fizer o mesmo, tudo o que fará é bater nos tambores, e será entendiante.

Entendo

Tem esta questão, mas em si é simples “Se bater, fará sons!” a linha de pensamento não muda.

E a diversão não mudou em nada, né?

Não, nada. Se eu parar de gostar, posso simplesmente abandonar, certo? Mas até hoje é muito divertido quando estou em um live ou em uma gravação.

Então, se tivesse que dizer para as pessoas que estão começando a tocar algum instrumento, um ponto positivo da bateria, o que seria?

É necessário muita responsabilidade para isso, eu creio.Sim, mas não acho que seja bom pensar deste jeito. Se começar a tocar com este sentimento, vai se submeter à pressão.

Então mesmo se você esquecer a letra de uma música, a melodia continua. Mas e se cometer um erro quando estiver tocando, não pára tudo?

Se todos pensarem assim, entrarão em pânico e desistirão. Se eu fosse ensinar alguém que não sabe nada a respeito de bateria, primeiro diria o quanto é divertido. Foi o que meu instrutor fez. Eu sentava em frente à bateria e não fazia idéia do que deveria fazer, mas ele dizia apenas “Hoje pode tocar como quiser”, sentava do meu lado e abria um livro (risos). Então sem entender nada eu comecei a formar os ritmos e tons e percebi “Ah essa batida cria este tipo de som”. Eu dava o melhor que podia e era como “Ok, essa é a lição de hoje.”

Então não era nada objetivo?

Não a principio. No começo eu não sabia nada sobre “8th beats”[é uma técnica de iniciantes na bateria. Leiam mais AQUI] nem nada, e só pensava, “Bateria é muito fácil~” e comecei daí. Entra também a questão da sorte anteriormente, tudo não começou com esse encontro? Se não tivesse sido salvo pelo meu professor, estaria vivendo uma vida completamente diferente agora. Não importa o quanto eu diga que adoro bateria, se pensar só “Eu posso fazer isso!”, teria desistido no meio do caminho.

Foi bom tê-lo conhecido então. Uma pergunta simples, mas a bateria é um instrumento que mudou sua personalidade depois de aprender a tocar? Você mudou por causa da bateria?

Na realidade não. Acho que expresso minha personalidade através da bateria.

Não há vários bateristas que criam o clima, ou conseguem deixar as coisas mais animadas? Há vários tipos de personalidades. Talves seja por isso que eu penso que deve ser por causa do instrumento?

Não acho que tenha algo a ver.

Mas há também muitas pessoas que são bem esmiuçadas.

Me pergunto por quê? (risos). Acho que existe bastante pessoas assim. Mas para mim, é assim que me conheço, então acho que são os outros que podem mudar sua personalidade.

Entendo. Esta é uma pergunta abstrata, mas o que é bateria para você? Algo com que pode expressar sua personalidade?

É uma outra parte do meu corpo… as pessoas confiam em seus olhos, falam com suas bocas e usam gestos para se comunicar, certo? É a mesma coisa. Há coisas que você só consegue expressar com seu corpo, coisa que não consegue transmitir a menos que fale, e coisa que são percebidas só pelo olhar. Do mesmo jeito, acho que há coisas que só consigo expressar com a bateria. Por exemplo, quando dizem “Minha vida mudou depois de escutar GazettE”, significa que escutaram nossa música e sentiram algo. Sempre recebo cartas que dizem “Adoro Kai-kun tocando bateria”, significa que aquela pessoa sentiu algo quando eu toco. Do contrário, a palavra “adoro” não existiria. Acho que eles percebem algo além. Mas é algo que não consigo sentir se não for através da bateria, não pode ser expressa em palavras.

Sim, sim.

O que eu acho interessante é que várias pessoas não escutam a bateria quando ouvem uma música, mas para mim, antigamente eu não escutava a música. Um dia me disseram “A letra dessa música é muito boa, hein” e naquela hora eu pensei “uau, as pessoas lêem as letras?!” (risos)

(risos) Como, “Eles pensam sobre o que significam?!”. Eles percebem a letra da mesma formo como você percebe os instrumentos?

Antigamente eu não sabia que as pessoas escutavam os CD’s acompanhando as letras. Era na música que eu me concentrava, então no ensino médio quando fazia covers, eu conseguia me lembras das batidas, mas não da melodia.

Realmente pensa como um baterista.

 

Por causa disso, quando as pessoas me dizem “Essa letra é profunda”, eu penso “para mim esta batida é profunda” (risos).

É assim até hoje?

Acho que sou sim.

Bem, depois deste longo tour, você deve ter passado por várias coisas, mas no momento qual seu estilo como baterista?

Me pergunto isso. Mas as coisas básicas não mudaram. Devo achar divertido. Então acho que a resposta é algo com base nisso.

Quando fui ao Yoyogi, vi que você estava brilhando, e também percebi o quanto você é estóico* , e sua expressão ao tocar encaixou-se perfeitamente.

*TN: Estóico: Relativo ao Estoicismo. Alguém que revela um ânimo e austeridade inabaláveis.
Fico meio sem jeito ao ouvir isso, mas (risos). Se consigo passar uma boa expressão… bem, é difícil explicar como isso está atrelado ao meu estilo de tocar. O meu objetivo é que as pessoas dizer, “Pode procurar em qualquer lugar do mundo que não vai achar baterista como esse!”, e saber que falam de mim, mas isso é algo muito difícil. Poder dizer “este é meu estilo de tocar” é algo que você só pode dizer quando tem plena certeza de que definitivamente só tem um único estilo, então ainda não posso dizer isso. Porque ainda tenho que crescer mais.

Então, está trabalhando para atingir seu objetivo?

Acho que isso pode ser possível se trabalhar duro durante a vida inteira.

Mas é isso o que você busca?

É isso que estou a procura. Embora no momento se há algo que posso dizer que tenha conseguido é dizer que sou baterista de the GazettE.

Mas na sua condição atual, dizer que the GazettE poderia ter outro baterista além de Kai-kun é fora de questão.

Pode dizer isso. Mas quanto mais eu toco, você não pode dizer “o baterista de GazettE é o único no mundo que consegue tocar este estilo.” Bem, nunca pensei nisso a fundo. Só penso que seria legal colocar dessa forma.

Então é um instrumento que se aprofunda de acordo com o seu jeito de tocar?

Sim, é difícil. Mas eu adoro isso porque nunca vou deixar de gostar.

Gostar e se divertir são coisas simples mas essenciais, não é? Pensando nessa simplicidade, acho que é porque isso não muda se você consegue superar os obstáculos e seguir em frente.

É verdade.

Então, o que tem feito ultimamente?

Em relação à banda?

Os dois, banda e vida pessoal.
Não tenho feito nada na vida pessoal (risos). Talvez dormido?

Tirou uma folga depois do Yoyogi?

Mais ou menos, uma folga chamada “compor músicas” (risos).

Mas mesmo quando está fazendo isso, o fato de estar tocando bateria já é algo divertido, não é?

Verdade. Uma vez que é um instrumento que revela seus sentimentos… por exemplo, a atmosfera antes de um show quando os membros estão discutindo entre si e quando tudo vai bem, quando estamos todos juntos é completamente diferente. Não acho que isso afete o meu jeito de tocar, mas… para mim, eu realmente odeio quando vejo um staff perder a calma antes de um live. Se for possível, gostaria de não ver. Quero que tudo corra perfeito naquele dia, é um jeito extravagante de pensar. Há fãs que me dizem “Acho que ficará melhor se for feito deste jeito”, e como quero que corra tudo bem, acato a sugestão. Tipo, “quando você toca uma balada deste jeito dói meus ouvidos” esse tipo de coisa.

Éééé. Isso é bem severo.

Primeiro eu pensei “Que diabos?”, mas quando escreveram o nome da música da qual estavam falando, isso sempre ecoava no fundo da minha mente quando estávamos em um show. E inconscientemente eu mudei… mas como há muitas sugestões, no final das contas se tiver que escolher alguém para acreditar, acredito em nós. E acho que temos fãs que concordarão conosco desta forma.

E por último, uma vez que você está no meio dessa produção de músicas, pode nos dar uma ideia de que tipo de musicas podemos esperar?

Para cada tipo de música que traremos, há vários tipos de sentimento ligados a elas. Mas o que posso dizer sem hesitar é que pode esperar muito delas! Estão muito boas!!

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